Precificação
Precificar por intuição é uma das causas mais comuns de prejuízo nas PMEs. Veja o método correto para calcular o preço mínimo sustentável e ainda assim ser competitivo.
Precificar por intuição — 'cobro o que o mercado paga' ou 'coloco uma margem em cima do custo' — é uma das formas mais eficientes de trabalhar muito e ganhar pouco.
O preço correto precisa cobrir três camadas: custos variáveis, custos fixos e margem de lucro desejada. Se qualquer uma dessas camadas ficar de fora, o preço está errado — mesmo que pareça competitivo.
O método do markup:
Markup é o multiplicador que você aplica sobre o custo para chegar ao preço de venda.
Markup = 1 ÷ (1 - (Despesas Variáveis% + Custos Fixos% + Lucro Desejado%))
Exemplo para um produto com:
- Impostos e comissões: 15% do preço
- Rateio de custos fixos: 20% do preço
- Lucro desejado: 15% do preço
- Total: 50%
Markup = 1 ÷ (1 - 0,50) = 2,0
Se o custo variável unitário é R$ 40, o preço mínimo é R$ 80.
Erros mais comuns na precificação de PMEs:
Primeiro erro: não incluir o pro-labore como custo. O salário do dono é um custo real. Se você não remunera seu próprio trabalho no preço, está subsidiando o cliente com seu tempo.
Segundo erro: não ratear os custos fixos por produto. Aluguel, contador, internet, salários administrativos precisam ser distribuídos entre todos os produtos e serviços. Se um produto não carrega sua parte dos fixos, outro produto está pagando por ele.
Terceiro erro: precificar olhando só para o concorrente. O preço do concorrente é referência de mercado, não de viabilidade. Ele pode estar operando no prejuízo sem saber — ou ter uma estrutura de custo completamente diferente da sua.
Como equilibrar preço técnico e preço de mercado:
Se o preço técnico (baseado em custos) for maior que o preço de mercado, você tem duas opções: reduzir custos ou reposicionar o produto para um segmento que aceita o preço maior. O que não pode acontecer é vender abaixo do preço técnico esperando que o volume compense — raramente compensa.
Preço certo não é o mais barato. É o que garante que a empresa continua existindo.
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